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Análise estratégica das revoltas nos países árabes

Agosto 17, 2011

Escrito por Heitor De Paola | 03 Agosto 2011
Internacional – Oriente Médio

 

Egyptian-women-in-TahrirEsperar que movimentos islâmicos instaurassem a democracia e a liberdade equivale a esperar que uma passeata de prostitutas restaure a moralidade.

 

 

 

 

Um jornalista (sic) que se autodenomina ‘especialista’ em Oriente Médio contestou a afirmação que fiz no último artigo de que os planos da Al Qaeda seriam facilmente endossados, com mínimas discordâncias, pela Fraternidade Islâmica e outros movimentos políticos, religiosos ou terroristas, pois segundo ele a Fraternidade não apóia grupos terroristas, nem tem vínculos com a Al Qaeda. Ora, um ‘especialista’ em Oriente Médio deve no mínimo entender alguma coisa de estratégia e saber que divergências táticas jamais impediram alianças estratégicas. Dei a ele a resposta que aqui coloquei em epígrafe.

Como já adverti em artigos anteriores, as discussões diplomáticas e a avaliação estratégica dos países islâmicos não podem ser desenvolvidas com base em pré-concepções ocidentais exclusivamente judaico-cristãs, tais como democracia, liberdade, livre iniciativa, direitos trabalhistas e das minorias, etc. Estes conceitos e estas crenças não pertencem ao universo mental, conseqüentemente, nem à religião nem à ideologia islâmicas, totalmente baseadas na submissão a Allah e seu Profeta Mohamed tal como prescrita no Corão, nos Haddithim e na Sunna. Aqueles conceitos só podem ser aplicados aos povos ocidentais, nunca a quaisquer outros povos. Sejam hinduístas, xintoístas, budistas, animistas e outros todos os que falam em democracia o fazem dentro de parâmetros mentais totalmente diversos dos nossos, tornando as negociações numa conversa de surdos. Um conceito totalmente desconhecido fora do Ocidente é o de liberdade individual. Quando se negocia com estes outros povos deve-se levar em consideração que quando falam em liberdade estão se referindo a outra coisa qualquer, jamais à liberdade individual, para nós o bem maior. Para os muçulmanos, então, esta é completamente desconhecida e mais ainda: desejá-la é uma heresia, um atentado contra a submissão corânica.

Falta aos ocidentais o conhecimento de um princípio fundamental do Islam: al Taqiyya: ‘o sagrado direito à fraude, de mentir em nome da maior glória de Allah. A falsidade para impedir as ofensas ao Islam, para se proteger, ou para promover a causa do Islam é aceita e estimulada pelo Corão e pela Sunna, incluindo a mentira sob juramento perante uma corte. Um muçulmano está autorizado a negar ou denunciar sua própria fé se, ao fazer isto, ele estiver protegendo os interesses do Islam, desde que, em seu coração, ele permaneça fiel’. A Taqiyya vem sendo usada desde o século VII para confundir e dividir o inimigo. É derivada dos antigos hábitos tribais beduínos[2]. Embora muitos estudiosos advoguem que seja um hábito puramente xi’ita, na verdade é inerente ao Islam como um todo.

Ibn Abbas comentava que “al-Taqiyya é uma expressão exclusivamente da língua, enquanto o coração permanece confortado com a fé”. Significa que à língua é permitido expressar qualquer coisa, desde que o coração não seja afetado. Abd Ibn Hameed, sob a autoridade de al-Hassan, disse: “al-Taqiyya é permitida até o Dia do Juízo, somente então não poderá ser usado”[3]. É exatamente este estratagema que permite dizer que o Islam é uma ‘religião de paz’ enquanto matam mais dos que os comunistas e nazistas o fizeram[4].

Origens dos distúrbios que afetam os países árabes [5]

A análise de Barry Rubin, Who Really Made Egypts Revolution?: The Story The Media Missed mostra a especificidade do discurso que animou a chamada “primavera da Praça Tahir’. Rubin não nega que alguns membros do movimento pediam eleições livres, o fim da ditadura de Mubarak e seus líderes visíveis genuinamente desejavam alguma forma de democracia e direitos humanos – mas não os direitos individuais.

“Porém os elementos bem organizados por trás das manifestações têm uma interpretação de democracia bastante diferente da definição Ocidental deste conceito (…) A idéia de que os inimigos daquela ditadura são radicalmente hostis ao Ocidente e favoráveis ao Islam nem passa pela cabeça dos observadores ocidentais”.

Do ponto de vista da maioria dos militares egípcios e dos envolvidos na revolução o Islam é a única resposta contra a detestável ocidentalização dos costumes, com incremento da criminalidade e da injustiça. “Os militares vêem no Islam a resposta para os problemas de identidade, justiça social e estabilidade interna”. Portanto, um Egito muçulmano é muito mais atraente do que o do ocidentalizado Mubarak, assim como o Xá era detestado no Irã e por sua tentativa de modernização é que foi derrubado. Mesmo que não queiram um Estado dominado pela Fraternidade, eles estão abertos para uma maior influência da mesma nas regras religiosas, ao mesmo tempo em que existe um profundo sentimento de ódio a Israel, à América e ao Ocidente.

O noticiário sobre a ‘primavera árabe’, a derrubada de ditadores e a imposição da democracia, dá mostras de refluir para as páginas centrais. Alguns, já começam a desconfiar que a tal primavera não passa de um inverno – ou inferno! Chinmaya R. Gharekhan publicou dia 22 de junho no The Hindu, um artigo intitulado Is Arab Spring wishful thinking?, no qual afirma:

as expectativas e esperanças engendradas pelos eventos na Tunísia e no Egito parecem ter se mostrado baseadas apenas em wishful thinking e não numa avaliação cuidadosa e acurada das características específicas de cada país Árabe e nos interesses de potências estrangeiras que desejavam dirigir os acontecimentos numa determinada direção (…). Precisamos esperar para ver que rumo os acontecimentos vão tomar”.

A análise de Chinmaya R. Gharekhan abrange outros países da região, como Líbia, Síria, Yemen e Bahrein.

Embora o jornalismo indiano esteja anos luz à frente dos seus colegas brasileiros, divididos entre imbecilóides arrogantes e outros comprometidos com a expansão das forças globais que ameaçam a civilização ocidental, parece-me um pouco tarde para apenas desconfiar! Desde 18/02/2011 comecei uma série de artigos (Ignorância, mentiras e idiotices em relação aos distúrbios no Oriente Médio), seguido de outro para o Jornal Visão Judaica (O cerco a Israel), além de publicar textos de Donald Hank, Molares do Val, do site de Inteligência STRATFOR, de Ivanaldo Santos, e outros, onde esta ilusão de ‘movimento pela democracia’ era mostrada com clareza e profundidade de análise como uma claríssima mentira inventada pelas potências ocidentais na defesa de seus próprios interesses.

Os fundamentos ideológicos da “democracia” árabe

Em 2008 o University of Maryland’s Program on International Policy attitudes, realizou uma pesquisa no Egito sobre as preferências políticas do povo. Os resultados mostraram claramente o que os egípcios entendem por democracia: Embora 82% tenham se mostrado a favor de algo que chamam “democracia”, 73% apoiavam a aplicação mais estrita da Lei Islâmica (Shari’a). Destes, 68% defendem aplicação da Shari’a para regulamentar o comportamento moral dos cidadãos 64% defendem as punições tradicionais como apedrejamento para adúlteras 62% querem que o governo policie a vestimenta das mulheres e 59% apóiam o uso da Shari’a como a única Lei. Um ano antes a mesma Universidade conduziu uma pesquisa de opinião no Egito, Marrocos, Paquistão e Indonésia. 60% responderam que a “democracia” era desejável para seus países, mas 71% concordaram com a ‘estrita aplicação da Shari’a em todos os países islâmicos”. Tais resultados sugerem que a idéia de democracia naquela região se restringe à realização de eleições sem incluir nem sombra de direitos individuais, exatamente o que temiam os Founding Fathers quando aprovaram a Constituição Americana e as primeiras dez Emendas, o Bill of Rights.

Vejamos a situação como se apresenta em alguns desses países.

TUNÍSIA: Possivelmente a Tunísia é o único país norte africano capaz de evoluir para uma forma realmente democrática de governo que inclua alguns direitos individuais. Como aponta Bruce Maddy-Weitzman, quatro fatores são favoráveis: (1) uma entidade nacional compacta e bem definida, com forte sentimento nacional e com tradição de economia de mercado e trocas com o exterior; (2) sofreu um processo de modernização importante, com uma classe média culta, o banimento da poligamia e a menor taxa de crescimento populacional de todo o mundo árabe; (3) a tradição de uma sociedade civil atuante e (4) forças armadas de pequeno porte, não politizadas e que se recusaram a substituir o poder civil após a queda do governo ditatorial.

LÍBIA: Por que os bombardeios da OTAN e dos EUA, alegadamente apenas para derrubar Kadhafi, estão destruindo sistematicamente toda a infraestrutura do País e matando civis? Afastado Kadhafi, o que está cada vez mais difícil, o que farão com uma Líbia destruída? Quem reconstruirá a infraestrutura do país, senão empreiteiras ocidentais? Quem tomará conta do petróleo líbio? Entre os revoltosos de Benghazi alguns portavam a velha bandeira dos tempos do Rei Ídris I, com quem era mais fácil para as grandes multinacionais petrolíferas negociarem vantajosamente, principalmente a italiana Ente Nazionale Idrocarburi (ENI). O fato é que podem estar enganados e entregar o poder para fanáticos muçulmanos, pois Idris era o líder da Irmandade Senussi, uma seita antiocidental que pratica uma forma austera e conservadora do Islam, e a estratégia pode sair um tiro pela culatra. Seu avô, Sayyid Muhammad ibn Ali as-Senussi, foi o fundador da religião inspirada no wahabismo dominante na Arábia Saudita.

Além dos monarquistas e de uma minoria de supostamente democratas, outras duas facções podem ser identificadas no Libyan National Transitional Council (NTC): extremistas islâmicos, aliados dos monarquistas, que podem ser chamados de monarquitas-fundamentalistas, que almejam estabelecer um Estado Religioso e elementos até então ligados a Kadhafi que o abandonaram por oportunismo.

Estudos franceses citados por John Rosenthal no National Review em Al-Qaeda and the Libyan Rebellion mostram que membros do Libyan Islamic Fighting Group filiado à Al Qaeda constituem o principal pilar da insurreição, portanto a ‘coalizão militar da OTAN está apoiando terroristas islâmicos (…). É inegável que os rebeldes líbios que Washington apóia, há pouco tempo estavam matando soldados americanos no Iraque’, onde foram recrutados por Abdul-Hakim al-Hasadi, um ex combatente no Afeganistão que foi preso pelos americanos em 2002 e solto na Líbia em 2008. al-Hasadi é o comandante de uns mil homens nas cidades de Damah e Bin Jawad, no leste da Líbia[6].

Quem leu meus artigos anteriores verá que estas não são novidades… Eu apenas acrescento que Barack Hussein Obama sabe perfeitamente disto e é de sua estratégia entregar o Oriente Médio aos jihadistas da Al Qaeda e aos fundamentalistas islâmicos.

EGITO: As autoridades militares provisórias do Egito, além de reabrirem a fronteira com a Faixa de Gaza sem consultar Israel nem denunciar oficialmente o acordo entre ambos, concederam licença de inscrição como partido político ao mais antigo movimento islâmico do país, a Fraternidade Muçulmana (fundada em 1928). Simultaneamente conseguiram organizar também um novo partido, Hizb al-Nour, de origem salafita. Nada menos que quatro partidos salafitas estão em processo de formação desde a queda de Mubarak. Mas com a formação estimulada pelos militares do Hizb al-Nour é a primeira vez que um grupo salafita aceita participar de eleições relativamente livres, pois, diferentemente do fingido núcleo islâmico central, eles e os wahabitas aos quais muito se assemelham, se opõem claramente à ordem democrática e à elaboração de leis humanas não emanadas diretamente do Corão. Para estes grupos radicais que incluem jihadistas, a democracia é anti-islâmica porque é um sistema que permite aos homens se apoderarem do direito de fazer leis, exclusivo de Allah.

Salafi é uma palavra árabe que significa sunitas seguidores da Salaf islâmica, que pode ser traduzida por ‘predecessores’ ou ‘ancestrais’: as três primeiras gerações islâmicas, os Sahaba (companheiros de Mohammed), os Tabi’un (seguidores) e os Tabi’ al-Tabi’in (os que vieram imediatamente depois dos seguidores), que são exemplares de como o Islam deve ser praticado através de uma interpretação estrita da Escritura.

Assim também são os wahabitas, seita sunita predominante na Arábia Saudita, seguidores de Muhammad ibn Abd-al-Wahhab, que preconizava no século XVIII purgar o Islam de todas as inovações surgidas nos últimos séculos, consideradas heréticas.

Teoricamente a aceitação de uma limitada democracia por parte dos salafitas significaria um passo muito grande rumo à democratização do Islam. No entanto, analistas conhecedores das intricadas relações entre grupos políticos egípcios, acreditam que seja uma jogada dos militares para impedir a quase certa maioria da Fraternidade em eleições gerais, aliada aos jihadistas do Al Qaeda e outros grupos. Opondo dois poderosos grupos ultraconservadores estariam pretendendo assumir o papel da fiel da balança e, se possível, a eternização no poder como uma espécie de ‘poder moderador’. Tais mudanças aparentemente são temidas pela Arábia Saudita, acossada pelas potências xi’itas do Golfo Pérsico, principalmente o Irã e as maiorias no Iraque e Bahrein – além das minorias xi’itas dentro de suas fronteiras, cada vez mais fortes na franja petroleira do Golfo, no Iemen e nos Emirados. Ocorre que existem salafitas em seu território exigindo mudanças desde 1990 sem sucesso e seu crescimento poderia desestabilizar a ‘ilha de tranqüilidade’ em que vivem os sauditas sob mãos de ferro de seus sete mil príncipes. [7]

SÍRIA: Este país de maioria sunita é controlado por um exército alawita, um dos ramos mais radicais da facção xi’ita do Islam o que implica numa situação inusitada entre os países árabes. Os alawitas existem há mais de mil anos predominantemente nas montanhas Jabal al-Nusayriyah no noroeste da Síria constituindo uma população de 1.6 milhão ou 13% da população do país. Os demais 600 mil distribuem-se pela Turquia e Líbano. Praticam uma religião sincrética e esotérica que mistura o Islam com tradições religiosas babilônicas, helênicas, persas e cristãs. Embora seu nome derive de Ali, genro do Profeta, são considerados hereges pelos sunitas em função deste sincretismo. Não possuem mesquitas e as reuniões religiosas se dão nas casas dos fiéis.

Pois é deste povo que são constituídas as forças militares, firmemente controladas pelos Assad e por eles protegido. Isto reduz em muito as possibilidades de pressão militar pela queda de Assad, diferentemente da Tunísia e do Egito, apesar da presença de alguns comandantes sunitas recentemente promovidos. A terra natal dos Assad, Kardaha, fica em plenas montanhas alawitas. Mas estes não constituem uma religião homogênea, são divididos em várias tribos e quatro ramos de sub-seitas que não se entendem entre si. Isto pode levar a uma luta interna que enfraqueça o exército e o poder de Assad. As diversas facções se uniram para apoiar Hafez Assad que os protegia dos levantes sunitas como os que ocorreram na década de 1970. Desde então a sorte de toda a comunidade está inseparavelmente ligada ao clã Assad. Porém podem ser confrontados agora com a necessidade de tomar outras decisões. Tudo depende da medida em que sejam respeitados e legitimados por outras forças[8].

Shari’a versus secularismo

Os especialistas árabes discutem há muito se alguns princípios democráticos poderiam ser introduzidos num sistema islâmico baseado na shari’a[9] e, se isto for viável, qual a melhor forma de fazê-lo. Muitos defendem que a introdução da lei islâmica com mais vigor, seria vital nas autocracias árabes, equivaleria ao nosso rule of law limitando a ação dos autocratas na medida em que tais regimes não seguem lei alguma, a não ser a prática ditatorial personalista.

Para os que pensam assim o chamado da Shari’a não seria um apelo ao sexismo, ao obscurantismo ou às punições selvagens. Outros como Abdullahi Ahmed An-Naim, professor de Direito na Emory University, consideram que o governo secular seria a melhor forma de usar o poder coercitivo da Shari’a como lei do Estado e não religiosa. As opiniões variam quanto a qual a melhor forma de balancear a lei islâmica com a lei secular. De maneira geral existem três formas principais usadas pelos países islâmicos: o duplo Sistema Legal, o Governo de Deus e os completamente seculares.

DUPLO SISTEMA LEGAL: A maioria segue um duplo sistema no qual o governo é secular, mas os muçulmanos podem escolher levar as disputas familiares e financeiras a tribunais baseados na Shari’a. O limite entre ambos é extremamente variável de país para país. O único que segue estritamente este princípio é o Qatar. Em outros países como Nigéria e Quênia as disputas quase sempre resolvidas pelos tribunais religiosos incluem casamento, divórcio, problemas de herança e guarda das crianças. Na Tanzânia existe uma variante: a decisão por qual Corte deve ser usada depende da tradição ancestral dos contendores. O Líbano e a Indonésia têm jurisdições mistas baseadas nos resíduos do sistema legal colonial suplementados pela shari’a.

O GOVERNO DE DEUS: Predominante em todos os países onde o Islam é a religião constitucional, a shari’a é considerada como a única fonte da Lei por ser a Lei que Emana de Deus através do Corão transmitido pelo Profeta Mohamed. Seguem este princípio a Arábia Saudita, Kuwait, Bahrain, Iemen e Emirados Árabes Unidos. No Paquistão, Egito, Irã e Iraque é proibido aprovar leis contrárias ao Islam. A interpretação mais estrita é seguida pela Arábia Saudita, onde existe uma polícia religiosa que pode revistar as mulheres, estas não podem dirigir carros, nem sair sem ser acompanhada por um homem – marido, irmão ou filho – e devem se mostrar completamente cobertas em público. Já nos Emirados as bebida alcoólicas são toleradas e existem jurisdições especiais para não muçulmanos.

TOTALMENTE SECULARES: Azerbaijão, Tadjiquistão, Chade, Somália e Senegal. A Turquia é um caso à parte. O secularismo foi imposto pela Revolução de 1923-4 comandada por Mustafá Kemal Atatürk com a abolição do Sultanato e do Califado, reconhecimento de direitos iguais de homens e mulheres, reforma das vestimentas tradicionais, abolição de títulos e do dízimo, adoção do calendário internacional. Mas principalmente a abolição da lei canônica, a instituição de um código civil e unificação da educação para todos. Estas mudanças são garantidas pelos militares que têm a missão constitucional de impedir que a lei islâmica substitua a civil e o estabelecimento de uma teocracia. Na atualidade o Partido do Desenvolvimento e Justiça Islâmico do Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan ameaça a adoção de leis islâmicas. No entanto, segundo conhecedores profundos do país, mesmo ocorrendo a diminuição do poder dos militares, dificilmente haverá um retorno ao passado, pois diferentemente de outros países, não somente os mecanismos democráticos, mas também os direitos individuais e o Rule of Law ocidental já estão entranhados na mentalidade dos turcos. [10]

Conclusões:

Conforme as informações aqui esboçadas e a opinião de especialistas no assunto, podemos concluir que:

1- O Islam é incompatível com qualquer noção de liberdade individual e, portanto é improvável, senão impossível, o estabelecimento de um regime semelhante às democracias ocidentais

2- Os que exultam com o surgimento de tal regime como resultado das revoltas em andamento se baseiam muito mais em wishful thinking do que numa avaliação acurada das condições reais.

3- Pode-se esperar em alguns países, como a Tunísia, um regime baseado em eleições gerais que simulem uma democracia.

4- Mesmo nestes países a possibilidade de que eleições levem a um regime autoritário, como ocorreu no Egito com a queda da monarquia em 1956, ou o estabelecimento de partidos únicos controlados pelo clero, ou teocracias como o Irã.

5- Embora possa haver o estabelecimento de uma constituição que preveja eleições periódicas e multipartidarismo, é extremamente dubitável que isto ocorra na prática. De maneira geral os observadores ocidentais da mainstream media se conformam com documentos pomposos que jamais serão seguidos.

Notas:

[1] Este texto reúne as Partes IV das séries Subsídios para entender o Islam e Ignorâncias, Mentiras e Idiotices em Relação aos Distúrbios do Oriente Médio publicadas em meu site www.heitordepaola.com e no Mídia Sem Máscara www.midiasemmascara.com.br

[2] Ver mais detalhes em http://www.islam-watch.org/Warner/Taqiyya-Islamic-Principle-Lying-for-Allah.htm

[3] Ver outras referências e comentários em http://www.al-islam.org/encyclopedia/chapter6b/1.html

[4] Embora não esteja no escopo deste artigo, é este estratagema mentiroso que permitiu que um muçulmano nascido no Quênia fosse eleito Presidente dos Estados Unidos e continue mentindo com a maior cara de pau, porém mantendo inabalável a crença em seu coração! Voltarei a este tema em breve.

[5] Uma boa cobertura cronológica, país a país, pode ser consultada no Washington Post Foreign Policy neste link http://www.washingtonpost.com/wp-srv/special/world/middle-east-protests/

[6] Mais sobre al-Hasadi em http://pajamasmedia.com/blog/rebel-commander-in-libya-fought-against-u-s-in-afghanistan/, http://www.weeklystandard.com/blogs/unknown-libya_555447.html, http://www.ilsole24ore.biz/art/notizie/2011-03-21/reportage-ribelli-islamici-tolleranti-231527.shtml?uuid=Aa6nhTID

[7] Após a publicação deste artigo, na última semana de julho, ocorreu o assassinato de um dos líderes revolucionários, General Abdel Younes, comandante do exército da oposição líbia. Segundo o ministro do Petróleo do Conselho Nacional de Transição (CNT), Ali Tarhouni, Younes foi morto por seus próprios comandados, tendo aberto uma cisão dentro do CNT e abalado a confiança dos revoltosos em seus aliados.

[8] Para mais detalhes ver http://www.huffingtonpost.com/dr-josef-olmert/bashar-assad-the-alawite-_b_853355.html

[9] Para Shari’a ver ainda http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1937, http://www.jihadwatch.org/2011/03/the-sharia-catechism.html

[10] Na última semana de julho os Comandantes das Forças Armadas turcas renunciaram em bloco, evidenciando o profundo descontentamento com o governo de Erdogan, confirmando o que escrevi.

 
Publicado no Digesto Econômico da Associação Comercial de São Paulo.

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