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desmascarando a “comunidade internacional”

Julho 15, 2011
Embora recitando de forma vazia slogans de tolerância, adeptos do governo da “comunidade internacional” apóiam a agenda das forças mais violentas, intolerantes e totalitárias do mundo. Neste excelente artigo a vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post, Caroline Glick (*) mostra como o esquerdismo politicamente correto fomenta o ódio a Israel e ao povo judeu ao reproduzir no século XXI o nazismo global que se esconde atrás desse eufemismo mentiroso conhecido como ‘comunidade internacional’, que não passa de figura de retórica propalada pela imundice antissemita que tem como principais militantes, por mais paradoxal que possa parecer, as moscas varejeiras esquerdistas que dominam as redações da grande imprensa internacional. O artigo é longo, mas é de fundamental importância. Como a grande imprensa não publica essas coisas, sou obrigado a fazê-lo pois essa é uma tarefa do jornalismo, ou seja, a difusão da verdade. A tradução do artigo é do site Beth-Shalon (Casa da Paz)

 

 

Durante muitos anos, a esquerda em Israel e em todo o mundo vem exaltando a chamada “comunidade internacional” como sendo o árbitro em todas as questões. Desde o direito de Israel existir até as mudanças climáticas, desde a liderança mundial americana até os grãos geneticamente modificados, a esquerda tem afirmado que a “comunidade internacional” é o único corpo qualificado para julgar a verdade, a legalidade, a bondade e a justiça de todas as coisas.

 

A maior parte dos que apóiam essa visão vêem as Nações Unidas (ONU) como a encarnação da “comunidade internacional”.
 
Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, tem demonstrado repetidas vezes que seu teste final para decidir se uma política externa é viável ou desejável é o apoio que ela obtêm nas instituições da ONU.
 
Obama tem tanta aversão a que se aja contra a vontade da ONU, que está tentando ganhar a queda de braço com Israel para obrigá-lo a fazer concessões suicidas à Autoridade Palestina (AP) dominada pelo Hamas. Obama alega que, se Israel concordar em aceitar as fronteiras indefensáveis, ele conseguirá convencer os palestinos a não pedirem que a ONU endosse a soberania palestina em setembro. Como o sucesso da iniciativa palestina é inteiramente dependente do veto do Conselho de Segurança da ONU, ao agir assim, Obama está mostrando que prefere sacrificar a viabilidade futura de Israel como Nação-Estado a contrariar a “vontade da comunidade internacional” encarnada pela ONU.
 
Além disso, em uma proposta para se manter fiel à resolução do Conselho de Segurança da ONU permitindo o uso de força na Líbia para proteger civis, Obama se recusou a articular um objetivo claro para o envolvimento das forças militares americanas na Líbia. O fato de que a resolução do Conselho de Segurança essencialmente condena a intervenção militar da OTAN a um impasse estrategicamente incoerente, que pode levar à dissolução da Líbia, não é importante para o presidente americano.
 
A única coisa importante é que os EUA obedeçam às limitações ditadas pela resolução do Conselho de Segurança da ONU.
Quanto à Líbia, a decisão de Obama de enviar forças armadas americanas àquele país sem a permissão do Congresso americano, torna claro que, da perspectiva dele, o Conselho de Segurança da ONU, e não o Congresso dos EUA, é a fonte de autoridade para a ação militar americana. Conforme Obama, se o Congresso conclamar o presidente a agir de maneira contrária ao Conselho de Segurança da ONU, é dever do presidente desconsiderar o Congresso e obedecer ao Conselho de Segurança.
 
Dada a estatura totêmica da ONU nas mentes do presidente americano e da esquerda internacional, vale a pena considerar sua natureza:
Uma olhada nas recentes atividades da ONU é algo revelador.
 
Os membros da ONU elegeram o Qatar para presidir a Assembléia Geral e o Irã como um dos vice-presidentes. Os representantes desses dois países usarão sua plataforma para fazer avançar os planos antiamericanos, anti-israelenses e antiocidentais de seus regimes.

 

 Como observou a Professora Anne Bayefsky, na revista The Weekly Standard, a primeira pauta deles será tratar da Conferência Durban III, que acontecerá em Nova Iorque paralelamente ao encontro da Assembléia Geral em setembro. A primeira Conferência Durban foi, é claro, a infame conferência racista e anti-semita da ONU em Durban, na África do Sul, em setembro de 2001. Em Durban, Israel foi destacado como o único país racista e xenofóbico do mundo, e ao povo judeu foi negado o direito de ter direitos nacionais e autodeterminação. A conferência terminou três dias antes dos ataques jihadistas aos EUA no dia 11 de setembro de 2001.

 

Além de sua conferência anti-semita, os líderes do Qatar e do Irã na Assembléia Geral certamente farão aprovar uma resolução apoiando o Estado palestino e condenando o Estado judeu.

 

Talvez antecipando seu novo papel de liderança na “comunidade internacional”, o Irã hospedou recentemente sua primeira “Conferência do Mundo Sem Terrorismo”. Falando na conferência, o ditador supremo do Irã, Ali Khamenei, disse que Israel e os EUA são os maiores terroristas do mundo. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que os EUA estavam por trás dos ataques de 11 de setembro e do Holocausto e que têm usado ambos os eventos para forçar os palestinos a se submeterem aos judeus invasores.
 
Paralelamente ao fato de que os líderes do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão — que devem seu poder e sua liberdade aos sacrifícios das forças militares dos EUA — participaram da conferência, o aspecto mais notável do evento foi que ele ocorreu sob a bandeira da ONU. Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, enviou cumprimentos aos participantes por meio de seu enviado especial. De acordo com a agência de notícias Fars, do Irã, “Em uma mensagem escrita (…) lida por Mohammad Rafi Al-Din Shah, enviado da ONU a Teerã, [Ban] Ki-moon [cumprimentou] a República Islâmica do Irã por realizar tão importante conferência”.
 
De acordo com a Fars, Ban acrescentou que a ONU havia “aprovado um grande número de resoluções contra o terrorismo em anos recentes, e realizar conferências como a de Teerã pode ser consideravelmente benéfico na implementação dessas resoluções”.
 
Quando os jornalistas perguntaram sobre a veracidade do noticiário iraniano, o gabinete do secretário-geral da ONU defendeu a sua posição. O porta-voz de Ban, Farhan Haq, fungou: “Se nós estamos avançando e tentando nos certificar de que as pessoas se posicionem contra o terrorismo, precisamos ir tão longe quanto possível para ter certeza de que todos o farão”.
 
No que se refere ao mais alto funcionário da ONU, quando se trata de terrorismo, não existe uma diferença qualitativa entre o Irã, por um lado, e os EUA e Israel, por outro. Aqui é importante observar que, dentre os outros convidados, a conferência iraniana “contra o terrorismo” destacou proeminentemente o presidente do Sudão, Omar al-Bashir.Bashir é procurado pela Corte Criminal Internacional por acusações de genocídio, pela matança que perpetrou em Darfur.
 
O novo vice-presidente da Assembléia Geral não é meramente o maior patrocinador estatal do terrorismo no mundo. É também um proliferador nuclear. Isso é, sem dúvida, o motivo pelo qual o representante do Irã na ONU expressou alegria quando, um pouco antes, a proliferadora nuclear companheira de sua nação, a Coréia do Norte, foi designada como chefe da Conferência da ONU sobre Desarmamento.
 
Esta é a mesma Coréia do Norte que realizou dois testes nucleares ilícitos; construiu um reator nuclear ilícito na Síria; colaborou abertamente com o programa nuclear e balístico do Irã; atacou e afundou um navio da frota sul-coreana no ano passado; e ameaçou com guerra nuclear a qualquer um que, em qualquer momento, criticar seu comportamento agressivo.
 
Esses exemplos representativos indicam o que passa por aceitável na ONU, demonstrando que a instituição internacional considerada como o depósito da vontade da “comunidade internacional” é total e completamente corrupta. Ela é moralmente falida. É controlada pelos regimes mais repressivos do mundo e usa suas instituições patrocinadas pelos EUA e pelo Ocidente para atacar Israel, os EUA, o Ocidente e as forças da liberdade e liberalismo em todo o mundo.
 
Dada a completa depravação da ONU e do sistema internacional que essa organização supervisiona, o que pode explicar a reverência automática da esquerda internacional a ela? De San Francisco a Chicago e a Boston; de Estocolmo a Paris e a Londres, membros da esquerda internacional afirmam que apóiam as vítimas da tirania. Eles garantem que defendem valores liberais de liberdade e tolerância e os direitos humanos. Mas, como a ONU, a verdade sobre a esquerda internacional mostra que seus membros são o oposto do que afirmam ser.
 
Aqui também alguns exemplos recentes são suficientes para contar a história da intolerância liberal e da violência: Michele Bachmann, a congressista americana e candidata republicana à presidência, apareceu no programa This Week [Esta Semana] da ABC News com George Stephanopoulos. Quase no final da entrevista, Stephanopoulos informou a Bachmann que ela pode ter certeza que a mídia começará a atacar a família dela, e especificamente as 23 crianças adotadas de quem ela e seu marido tomam conta.
 
Ele disse: “Eu sei que você quer servir como escudo para elas [as crianças adotadas], mas será que elas estão preparadas para a perda da privacidade que virá com a campanha presidencial? E será que você está preocupada sobre isso com relação a elas?” O aviso ameaçador de Stephanopoulos foi notável pelo que diz sobre a natureza da mídia dominada pela esquerda. Em uma recente entrevista, Michelle Obama, a primeira-dama americana, agradeceu à mídia por proteger sua família de ser escrutinada. Entretanto, Stephanopoulos não teve escrúpulos em ameaçar a família de Bachmann com um linchamento jornalístico.
 
E isso faz sentido. Como colegas de esquerda, os Obama têm passagem livre. Mas, como republicana conservadora, e como mulher não-esquerdista, Bachmann — assim como Sarah Palin — não tem o direito de esperar tolerância para a privacidade de sua família por parte da mídia iluminada, feminista e liberal.
 
Depois, houve uma investida violenta contra o historiador israelense Benny Morris do lado de fora da Escola de Economia de Londres. Como Morris o descreveu para o The National Interest [O Interesse Nacional], quando estava a caminho da universidade para dar uma palestra, “uma pequena turba (…) de algumas dezenas de muçulmanos, árabes e seus apoiadores, tanto homens quanto mulheres, me rodearam e, caminhando ao meu lado por várias centenas de metros à medida que eu avançava em direção ao prédio onde a palestra deveria acontecer, abafadamente começaram a falar coisas e a me agredir com palavras como “fascista’, “racista’, “a Inglaterra nunca deveria ter permitido que você entrasse aqui’, “Você deveria ser proibido de falar”’.
 
E acrescentou: “Para mim, pareciam os camisas-marrons [nazistas paramilitares] em uma cena de rua na Berlim dos anos 1920”.
 
Não menos espantoso que o comportamento desse grupo de provocadores foi o comportamento do professor da Escola de Economia de Londres que estava promovendo a palestra de Morris. À medida que Morris descrevia o ataque, em suas “breves observações introdutórias”, o professor “ignorou completamente o assédio e a intimidação (que lhe haviam sido comunicados com detalhes), e tampouco criticou [os que atacaram Morris]”.
 
Em Nova Iorque, quando Glenn Beck, o apresentador conservador de programas de televisão e rádio, foi recentemente ao New York’s Bryant Park para assistir a um filme com sua família, foram abordados por populares que professavam ódio pelos “republicanos”.
 
A extraordinária intolerância da esquerda por Israel teve plena manifestação dentre os participantes da chamada “flotilha”. O propósito da flotilha é quebrar a lei internacional, trazendo ajuda e conforto à Gaza controlada pelo Hamas, tentando acabar com o bloqueio marítimo legal de Israel à costa de Gaza controlada pelo Hamas.
 
Como expôs Ehud Rosen em um relato para o Centro de Jerusalém para Assuntos Públicos, a flotilha deste ano foi organizada pelo Hamas e pela Fraternidade Muçulmana, com a participação ativa de grupos esquerdistas anti-Israel.
 
Em suas declarações públicas, os participantes da flotilha professam tolerância infindável com o Hamas e seus planejamentos genocidas. E não manifestam nenhuma tolerância, em qualquer aspecto, por Israel e seu direito de existir.
 
Através de seu comportamento, os participantes da flotilha vindos do grupo Code Pink, alinhado com Obama, e de suas organizações-irmãs, imitam o comportamento do secretário-geral da ONU celebrando a provocadora conferência do Irã sobre o terrorismo, e assistindo a ascensão da Coréia do Norte à chefia da Conferência da ONU sobre Desarmamento, e a liderança do Qatar e do Irã na Assembléia Geral.

 

Embora recitando de forma vazia slogans de tolerância, adeptos do governo da “comunidade internacional” apóiam a agenda das forças mais violentas, intolerantes e totalitárias do mundo. Eles não apenas as apóiam, eles servem a elas.

 

Não é necessário muito para despojá-los de suas máscaras superficiais de doçura e suavidade. É uma pena que tão poucos se importem em fazê-lo.

 
(*) Caroline Glick nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de política externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomática e editora de suplementos sobre questões estratégicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é http://www.carolineglick.com.

Via Aluizio Amorim.

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