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O cerco a Israel

Junho 1, 2011

Heitor De Paola | 31 Maio 2011


 

É bem possível que outra parte das mudanças ocorridas no mundo árabe, como a reconciliação e aliança entre o Fatah e o Hamas, que não renunciou ao objetivo de destruir Israel, façam parte da mesma estratégia de cerco.

 

O terremoto revolucionário que vem arrasando o mundo árabe nos últimos meses e já se transformou num tsunami que varre Tunísia, Líbia, Egito, Yemen, Síria e ameaça a Arábia Saudita, tem sido interpretado pela mídia como um movimento pela derrubada de tiranos em nome de democracia e liberdade, mas desde o início o espectador atento e conhecedor da história da região e do Islam podia perceber que não era bem isto, como demonstrei numa série de três artigos. Apesar dos vários protestos de islamofobia que sofri, junto com outros autores, o desenrolar dos acontecimentos vem provando que tínhamos razão.

 

Sabe-se hoje que os revoltosos do leste da Líbia são tribos radicais islâmicas ligadas à rede Al Qaeda e recebem financiamento iraniano, que por trás da revolta egípcia encontra-se a Fraternidade Muçulmana, uma organização com ramificações em 80 países (Human Events, vol 67, 11), que as revoltas no Yemen e no Qatar tem fortes raízes iranianas para controlar o Estreito de Hormuz e o tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico.

 

Armas provenientes da Líbia, apreendidas em Bin Amir, no sul Tunísia, são transportadas pela África do Norte para a secção da Al Qaeda na região, AQUIM – al Qaeda in the Islamic Maghreb (Tanzim al-Qa’ida fi bilad al-Maghreb al-Islami), sediada na Argélia e onde o grupo tenta tirar vantagem da crescente pressão contra o governo, e na própria Tunísia, onde os jihadistas tentam tirar vantagem da derrubada do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali.

 

Diferentemente do que muitos propagandeiam a Fraternidade não é absolutamente um partido egípcio moderado, mas um grupo jihadista cujo objetivo é criar um Império Islâmico, o Grande Califado. Seu moto: “É da natureza do Islam impor sua lei a todas as nações e estender seu poder a todo o planeta”. Num sermão em setembro de 2010 seu Supremo Guia religioso Muhammed Badi declarou que “a mudança que a nação (muçulmana) busca só pode ser conseguida através da Jihad, criando uma geração jihadista que busca a morte assim como seus inimigos buscam a vida” (id). O Supremo Comandante da Fraternidade, Muhammad Mahdi Akef, afirmou em 2006 que estava preparado para enviar 10 mil guerreiros jihadistas para auxiliar o Hezbollah. Apesar de ter sido posta fora da lei e da intensa perseguição pelo regime de Mubarak, os candidatos do grupo, conhecidos como “independentes”, conseguiram ganhar 20% do Parlamento nas eleições de 2005 e controlam todas associações médicas e de advogados do Egito.

 

Some-se ainda o espetacular e cinematográfico assassinato de Osama Bin Laden, que tem sido posto em dúvidas por várias fontes devido ao clima de mistério com o cadáver jogado ao mar e sem fotos comprobatórias e que seu sucessor na liderança da Al Qaeda, Ayman al Zawahiri é egípcio e tem laços estreitos com a Fraternidade.

 

Mubarak não era propriamente um amigo de Israel, mas seguia a tradição iniciada por Anwar el Sadat – assassinado por uma facção dissidente da Fraternidade – do Tratado de Paz com Israel, jamais aceito pelas facões radicais.

 

Amr Moussa, provável próximo presidente e ex-líder da Liga Árabe, é ironicamente um dos membros do antigo regime aparentemente rejeitado nas ruas, não é um centrista moderado como Sadat e Mubarak, mas um radical da linha ultranacionalista de Gamal Abdel Nasser, na verdade é o último nasserista de importância nacional e declarou em entrevista ao Wall Street Journal no dia 6 de maio que o Egito ganhou muito pouco da paz com Israel e que, se eleito modificará as relações amenas de Mubarak com Israel, pois as tentativas deste de resolver o conflito israelo-palestino levaram a lugar nenhum e o país precisa de políticas que “reflitam o consenso popular”. Moussa reverterá a política em relação ao Hamas considerando-o um aliado e não mais um inimigo da paz.

 

É bem possível que outra parte das mudanças ocorridas no mundo árabe, como a reconciliação e aliança entre o Fatah e o Hamas, que não renunciou ao objetivo de destruir Israel, façam parte da mesma estratégia de cerco. Pesquisas de opinião entre os palestinos mostram um arrasador apoio ao Islam: perguntados a definir sua identidade pessoal primária, 57% responderam muçulmanos, 21% palestinos, 19% seres humanos e somente 5% árabes.

 

Os sangrentos conflitos entre muçulmanos e cristãos no Egito também demonstram o risco da preponderância dos ultraconservadores que querem impor a Shari’a e já circulam mensagens divulgando as normas obrigatórias de vestimentas para as mulheres, tanto muçulmanas quanto cristãs de acordo com os códigos islâmicos.

 

Embora a dinastia Assad na Síria, os sauditas e Muammar Kadhafi tenham sempre usado uma retórica anti-israelense agressiva, se eles também caírem a ameaça de um cerco fatal a Israel ficará mais próxima.

 

Artigo publicado no Jornal Visão Judaica, de Curitiba, Paraná.

 

FONTE.

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