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A próxima onda de terror da Al Qaeda

Maio 10, 2011

[originalmente publicado no Mídia Sem Máscara]

Daniel Greenfield | 09 Maio 2011

A partir da perspectiva da Al Qaeda, seu plano está nos dando certo. O Ocidente começou a se submeter. Apesar de todas as bombas jogadas em Kandahar, o Corão é bem-vindo na Casa Branca.

A morte de Osama bin Laden é importante apenas por sua mensagem simbólica, porque bin Laden há muito havia deixado de ser uma figura de alguma importância operacional e se tornado um símbolo da jihad. Como ‘mártir’, ele será tão útil quanto já era. Talvez até mais.

Sua morte não é um ponto final, mas uma vírgula de anticlímax em uma frase atropelada cuja completa extensão ainda não está clara. Para os americanos, é uma oportunidade para celebrar a morte do homem que se tornou um símbolo do terrorismo islâmico. Para os muçulmanos, ela se traduz em um dia de luto pela morte de um novo Saladino. Não importa o quanto ele esteja morto agora, ele alcançou seu objetivo de se tornar um símbolo da jihad por uma ordem islâmica mundial. E aquela jihad não será enterrada no chão com ele.

Já faz algum tempo que na realidade não combatemos Al Qaeda de bin Laden. Ao invés disto, combatemos o Talibã, milícias apoiadas pelo Irã e afiliados locais da Al Qaeda. Qualquer que tenha sido a influência que os recrutas de sua enfraquecida organização conseguiram trazer ao campo de batalha no Afeganistão, ela foi limitada pela centralidade do campo de batalha iraquiano na jihad global. A Al Qaedade bin Laden continuou a ser uma ameaça, mas mais como uma inspiração do que como a rede de alcance global que as reportagens da mídia fizeram ela parecer.

Os anos iniciais da Guerra ao Terror haviam cortado suas ligações com suas zonas seguras de operação. A nova onda da jihad vinha de organizações que chamavam a si mesmas de Al Qaeda, mas tinham seus próprios centros de comando, suas próprias redes de financiamento e suas próprias agendas. Organizações que, como a Al Qaeda do Iraque, não mais respondiam a bin Laden e nem mesmo ouviam suas críticas. Homens como Zarqawi, cuja sede de sangue faziam até bin Laden parecer um moderado razoável, em comparação.

Enquanto os americanos ainda estão pensando nos termos do 11 de setembro, os próprios terroristas já passaram à próxima fase do terror. A Al Qaeda pode lançar uma outra operação de longo alcance com vistas a obter destruição em grande escala e baixas em massa, mas o núcleo tático mudou destas operações caras e de longo alcance. Os ataques de 11 de setembro tiveram por objetivo posicionar bin Laden e a Al Qaeda como a vanguarda do Islam. E eles alcançaram este objetivo. Os únicos que podem tomar isto deles agora são os terroristas xiitas apoiados pelo Irã. E seu foco atualmente é regional.

A próxima fase do terror é a franquia, a criação de um afiliado local para executar contínuos ataques terroristas contra os americanos. “Al Qaeda dos Estados Unidos”. A prisão do Terrorista de Times Square e do Atirador do Massacre de Fort Hood e outras prisões semelhantes levam de volta ao objetivo de criar a Al Qaeda dos Estados Unidos, uma rede terrorista baseada em torno de muçulmanos americanos. Até agora não há uma al Qaeda dos Estados Unidos do modo que há uma Al Qaeda do Iraque ou uma Al Qaeda do Iêmen. Mas isto é só uma questão de tempo.

A fase inicial destas franquias traz ações de terror por “assassinos solitários”, recrutados na prisão ou inspirados à distância por vídeos e materiais de recrutamento distribuídos pela internet e através de livrarias islâmicas e mesquitas. Embora seja verdade que eles terão e têm um alto grau de ineficácia, eles servem como exemplos para outros muçulmanos, para abandonarem o materialismo ocidental e assumirem a jihad contra os Estados Unidos. Seus julgamentos se tornam vitrines de propaganda, inspirando outros a seguirem seus passos. (N. do T: veja-se por exemplo o discurso jihadista que Faisal Shazad, o terrorista de Times Square, trouxe já ensaiado na ponta da língua para o anúncio de sua sentença)

A experiência é a melhor mestra. E qualquer terrorista que tenha sucesso na realização de um ataque e escape de ser capturado se torna o centro de uma nova organização terrorista. Quando uma organização cresce, ela se afirma através de ações de terror, reivindicando para si o título de franquia local da Al Qaeda por meio da pura contagem de corpos. Novos recrutas trazidos por meio de organizações islamistas, testados em seu compromisso com a visão de mundo salafista e arregimentados através de campos de treinamento já localizados nos Estados Unidos serão posicionados para começarem a próxima onda de terror.

A insistência de Obama em julgamentos civis lhes cai como uma luva. Figuras como Faisal Shazad, apesar de seu fracasso, conseguem posar e se pavonear no tribunal como servos devotos de Alá, citam o Corão e juram lealdade à Al Qaeda, bin Laden e o triunfo final do Islam. Os mártires do Islam conseguem mais um membro do panteão para colocarem em cartazes e Adam Gadahn, também conhecido como Azzam, o americano, ele mesmo filho de um hippie contra-cultural, define com sucesso o Islam como a nova contra-cultura. E se você acha que isto não está funcionanado, ande pelas ruas de um bairro com muitos esquerdistas e conte quantos keffiyahs você vê. Aí imagine quanto tempo vai levar até eles serem substituídos por hijabs.

Com a Al Qaeda dos Estados Unidos, o objetivo vai para além de matar americanos a fim de impulsionar sua posição, passando a ser matar americanos a fim de islamizar os Estados Unidos. O terrorismo começou como um meio de intimidar uma potência mundial cuja influência cultural e poder militar são superiores à Ummah, mas na fase seguinte o objetivo é aterrorizar a população não-muçulmana para que se torne parte da Ummah.

As táticas muçulmanas não mudaram muito em mais de mil anos, quando Maomé conseguiu aterrorizar os moradores cosmopolitas e multiculturais de Meca e Medina e fazê-los se converterem ao Islam ou aceitarem a dominação muçulmana, tornando-se dhimmis. Seus principais instrumentos foram a violência e falsos acordos. A violência era usada para forçar os não-muçulmanos aceitarem aqueles acordos. E aqueles acordos foram então usados para dominá-los e subjugá-los.

Hoje, no Ocidente, os “extremistas muçulmanos” executam a violência, enquanto os “muçulmanos moderados” escrevem os acordos para nós assinarmos. Tanto os “moderados” quanto os “extremistas” são braços da Irmandade Muçulmana, e estão empenhados em implementar sua agenda. E um grupo fortalece o outro. Cada ataque terrorista leva os políticos covardes do Ocidente a buscarem “fortalecer” os muçulmanos moderados, a fim de marginalizarem os extremistas. Mas as diferenças entre os dois grupos são táticas, não morais ou religiosas. É comum os terroristas muçulmanos dividirem suas organizações em divisões políticas e armadas. Supor que a divisão política é não-violenta, porque não mata pessoas, tira de foco o problema. É absurdo tentar negociar com a divisão de propaganda do inimigo ao invés de suas forças armadas, como se elas representassem duas identidades diferentes ao invés de duas diferentes funções.

O 11 de setembro foi a melhor coisa que poderia acontecer para o poder e a influência muçulmanas nos Estados Unidos. Ele os tirou de sua obscuridade, lhes abriu a porta da frente da Casa Branca e encheu seus cofres de dinheiro. E isto foi ainda bem antes de Obama ser eleito. A idéia de que precisamos trabalhar com os muçulmanos moderados a fim de pararmos a violência se tornou uma idée fixe que levou a atos covardes de submissão. Não importa o quão amplas fossem as provas de que os assim chamados moderados estavam apoiando e financiando o terrorismo, os políticos se recusavam a escutar. Eles tinham encontrado uma solução para o problema do terrorismo e eles retornavam a ela como um cão a seu vômito.

Não importa o quanto os “pensadores razoáveis” neguem, o terrorismo muçulmano leva ao domínio político muçulmano. Não só em algum buraco do Terceiro Mundo, com três dias de abastecimento de água por semana, mas aqui mesmo no Ocidente. Depois que o sangue é limpo das ruas, a liderança política procura alguém com quem negociar. O momento ainda não é adequado para eles negociarem com bin Laden (embora 9 anos depois do 11 de setembro, eles já estejam negociando com o Talibã) mas há uma abundância de substitutos locais, organizações fundadas por membros da Irmandade Muçulmana, financiadas pela Arábia Saudita e tratadas como representantes dos muçulmanos americanos e canadenses.

As bombas podem ir e vir, mas a violência é uma constante na vida tribal, os combatentes podem recuar e voltar de novo. Mas contanto que as portas estejam abertas ao Islam, o jogo ainda é favorável a eles. Desde o 11 de setembro, os Estados Unidos se curvaram para trás para acomodarem o Islam. O que significa que a al Qaida teve sucesso.

Bin Laden pode estar morto. Os membros da al Qaeda estão espalhados. Mas eles conseguiram muito mais do que jamais poderiam ter sonhado com seus aviões. Desde então, apesar do pequeno número de muçulmanos, o Islam se tornou um fator de primeira ordem na política americana. Exatamente como o terrorismo de Maomé forçou os governantes locais a tentarem entrar num acordo com o Islam em uma base pacífica, do mesmo modo bin Laden conseguiu forçar os políticos americanos a tentarem fazer a mesma coisa.

A Al Qaeda dos Estados Unidos tentará ampliar estes sucessos com uma insurreição doméstica. Uma vez que ela exista como uma força ativa, o objetivo será tentar fazer os políticos americanos negociarem diretamente com ela. A premissa soa absurda. Tão absurda quanto a idéia de Israel negociar com a OLP nos anos 80. Exceto pelo fato de que hoje a OLP está a caminho de um Estado e no controle de uma parte considerável de Israel e a disputa é sobre se Israel negociará abertamente com o Hamas. O passo seguinte de um grupo terrorista sempre é a transição para uma força armada que tentará controlar áreas inteiras. Depois disto vem o espectro de uma solução política.

Por hora, os informantes infiltrados e a falta de treinamento são um sério obstáculo à al Qaida dos Estados Unidos. Os muçulmanos locais que estão sofrendo de uma Febre da Jihad têm tanta probabilidade de encontrarem um informante do FBI quanto a coisa pra valer. Mas a rede de informantes do Mukhbarat no Egito fazia seus colegas americanos parecerem insignificantes e no entanto a Irmandade Muçulmana continuou uma força poderosa lá. Falta de treinamento significa que teremos mais carros-bomba falhando em detonar em Times Square, mas eles só precisam ter sorte uma vez. Enquanto os terroristas conseguirem pegar julgamentos civis, eles ainda terão a oportunidade de promover o culto da jihad.

A esquerda já aceitou o Islam como a nova contra-cultura, a identidade dos oprimidos e humilhados e eles estão aprendendo a gostar de visitar favelas como se fossem muçulmanos. Lauren Booth é um exemplo destacado, mas longe de ser um caso isolado. As elites da esquerda sempre procuraram as classes inferiores como fonte de diversão, fosse pelas drogas, cooperativas agrícolas ou a revolução. Agora, a última diversão é o Islam. Ponha um hijab, deixe a barba crescer e bravateie contra a ocupação, mesmo sendo um dos ocupantes. As elites da esquerda estão sempre desejando escapar de suas gaiolas de ouro para estarem “com o povo”, qualquer que seja o modo como eles fantasiem o povo. O Islam é sua próxima grande escapada da civilização e da necessidade de se civilizarem. Para jogarem fora toda a moral e os costumes e afundarem na sujeira.

A esquerda ainda tem fome de violência, mas não tem mais estômago para militar. A Al Qaeda da América será a sucessora dos anarquistas e dos Weathermen. E ela continuará a atrair radicais esquerdistas como Gadhan, que vêem no Islam a tocha do radicalismo furioso mudando do vermelho para o verde. Ele não derrubará os Estados Unidos, mas faz parte da transição dos ataques de longo alcance desde o Paquistão ou a Alemanha e passando a uma insurgência muçulmana local, alimentada por uma corrente de novos convertidos, criados em mesquitas sauditas. A próxima onda do terror está aqui. E ela não depende de planos traçados há milhares de quilômetros, mas na sua adorável vizinhança muçulmana ali do lado.


Daniel Greenfield:
Sultan Knish, 2 de maio de 2011

Original: Al Qaeda’s Next Wave of Terror

Tradução: DEXTRA

FONTE.

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From → islam, terrorismo

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