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A retratação de Richard Goldstone

Abril 13, 2011

[originalmente publicado no Mídia Sem Máscara]

 

Após quase dois anos de difamação amparada pela ONU, eis que Goldstone vem a público admitir que são infundadas as alegações de que Israel alvejou civis deliberadamente.

 

 

Imaginemos um homem que dia após dia encontra pedras no seu quintal, arremessadas pelo vizinho, e janelas quebradas. Ele conserta os objetos, dá de ombros e segue a vida. Depois de anos nessa brincadeira, o vizinho atira uma pedra que acerta não uma janela, mas o filho do homem. Ele entende que agora a coisa passou do razoável e revida atirando algumas pedras para acertar o vizinho. No mesmo instante, toda a rua corre à casa do homem e o repreende por aquele ato bárbaro contra o pobre vizinho.

O homem na história acima é Israel, alvejado há anos pelos foguetes do Hamas na Faixa de Gaza (e do Hezbollah no Líbano) numa base quase diária.

Em 2005, Israel se retirou da Faixa de Gaza, esperando que o Hamas desse fim às agressões. O Hamas agradeceu recrudescendo os ataques. Israel decidiu reagir no fim de 2008, e no mesmo instante começou a gritaria da rua acerca da “reação desproporcional” (qual seria a proporcional?). Governos aconselhavam Israel a se render; manchetes afirmavam que Israel mirava em civis; a esquerda internacional comparava Israel a Hitler. Meses depois, encarregado pela ONU, o juiz Richard Goldstone apresentou um relatório sobre a operação no qual Israel era acusado de matar civis propositalmente. Os inimigos do país vibraram.

Mas após quase dois anos de difamação amparada pela ONU, eis que Goldstone vem a público admitir que são infundadas as alegações de que Israel alvejou civis deliberadamente. Impossibilitado de checar os fatos da guerra ele próprio, sabem o que fez Goldstone? Confiou na palavra dos terroristas. “Se eu soubesse então o que eu sei agora, o Relatório Goldstone teria sido um documento diferente”, diz ele no artigo de retratação, publicado na semana retrasada no Washington Post. Outro trecho:

“Alguns sugeriram que foi absurdo esperar que o Hamas, uma organização cuja política é destruir o Estado de Israel, investigasse o que nós dissemos que eram sérios crimes de guerra. Era minha esperança, ainda que pouco realista, que o Hamas o faria, especialmente se Israel conduzisse suas próprias investigações. No fim, pedir ao Hamas que investigasse pode ter sido uma iniciativa equivocada. Lamentavelmente, não houve esforços do Hamas em Gaza para investigar as alegações de seus crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade”.

Quem destacou o Relatório Goldstone em manchete de capa no passado talvez cite a retratação do autor como notinha de rodapé na última página. Talvez nem isso. A propósito, nessa quinta-feira o Hamas lançou um foguete contra um ônibus escolar em Israel, ferindo gravemente um rapaz de 16 anos e o motorista.

 

Publicado no jornal O Estado.

 

Bruno Pontes é jornalista – http://brunopontes.blogspot.com

 

FONTE.

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